Exercício – Transformando a observação em criação de personagens
Categoria : Exercícios, Personagens
No primeiro artigo sobre personagens falamos sobre criação de personagens vivos e reais com os quais os leitores se identifiquem. Esse mês, propomos um exercício para desenvolver os diversos aspectos do desenvolvimento de personagens convincentes.
Escolha um dia em que você tenha que sair de casa para ir ao trabalho ou escola. Quanto mais tempo você passar na rua, melhor. Se puder, saia apenas para fazer este exercício. Leve um bloco de notas. Ande de ônibus, metrô, trem, bicicleta, caminhe pela avenida, vá a um shopping… lugares que tenha uma grande concentração de pessoas. Se tiver tempo disponível, vá em lugares diferentes, com tipos de pessoas diferentes.
Observe essas pessoas. Você encontrará gente de diversas etnias, classes sociais, tribos urbanas, trajes específicos dependendo do lugar, comportamentos e humores diversos, levando objetos consigo, cansadas ou dispostas, alegres ou abatidas, crianças e idosos, casais e grupos de solitários, olhos azuis e castanhos, trabalhadores e mendigos, pessoas se divertindo e empresários estressados… as possibilidades são infinitas. Em um único dia, se prestar bem atenção, você encontrará tipos de pessoas que você nunca havia reparado antes. Fique um tempo apreciando a diversidade.
Anote superficialmente o máximo possível de tipos de pessoas que puder com apenas uma palavra que a caracterize.
Anote no bloco de notas a pessoa que você achar mais interessante. Parta de fora para dentro. Escreva as primeiras impressões que você teve sobre elas, o que lhe chamou atenção. O tipo de roupa, o jeito de andar, o corte de cabelo, o jeito de falar, uma expressão facial.
Depois, se concentre em detalhes como objetos que carrega, marca de roupa, se há algo físico que denote o que ela está fazendo ali naquele momento ou para onde vai. Descreva esses itens com toda a riqueza de detalhes que puder.
Então comece a partir para o interior. A expressão facial denota algum sentimento discernível? A postura física indica alguma disposição ou cansaço? Algum objeto em específico oferece alguma informação pessoal? O modo de se vestir ou andar denuncia a classe social? É possível supor a região em que mora? É casado(a), solteiro(a), pai/mãe de família, religiosa? Anote tudo o que puder deduzir.
Agora partimos para o exercício de imaginação com base em todas essas informações. Leia suas anotações e imagine: como deve ser a vida dessa pessoa? Quem ela é? Como é sua família? Onde trabalha ou estuda? O que faz para se divertir? Gosta de ler? É do tipo fisiculturista? É feliz ou triste? Muitos amigos ou solitária? Quais são seus sonhos? Como vê a vida?
Por ultimo, ao chegar em casa, leia de novo as anotações e crie um histórico de sua personagem. Não se esqueça que tudo o que criar deve ser condizendo com as informações visuais que anotou. Comece com seu nascimento, conte sua infância, adolescência, sua vida social na escola, na família, vá criando até sua personagem chegar na idade que tem a pessoa que lhe serviu de inspiração. Gaste quantas folhas forem necessárias. Não há uma regra para isso. Dê um nome a sua personagem.
Agora leia sua criação e compare consigo mesmo e sua própria vida. Existem muitas semelhanças? Ou é o extremo oposto? Anote.
Depois de uma semana, repita o exercício; dessa vez escolha uma pessoa que você considere o extremo oposto da primeira e não lhe cause a principio nenhum interesse.
Queremos saber o resultado deste exercício e ajudá-lo a indicar onde melhorar e quais foram os pontos fortes. Envie-nos seu exercício, desde as primeiras anotações ao ultimo texto, respondendo também as seguintes perguntas:
- Você teve maior facilidade na observação ou na criação ao chegar em casa?
- Houve dificuldades para criar o histórico da personagem de forma que não tivesse que recorrer a clichês ou ao seu próprio passado?
- Qual das duas vezes em que fez o exercício foi mais fácil? Com a primeira pessoa, que lhe causou interesse, ou a segunda que era o extremo oposto?
- Este exercício o ajudou a compreender melhor as pessoas e o processo de criação de personagens? Por que?
Encaminhe tudo isso para o e-mail quadrinize@hotmail.com. Estamos esperando.
Anunciamos que todos os leitores da Quadrinize! que completarem os exercícios e postarem em seus blogs (se não tiver, faça um com esse propósito) receberão um selo especial do site como um certificado. Ressaltamos que o importante não é a qualidade do resultado final, e sim o cumprimento das metas propostas (O Editor).









Este exercício parece muito interessante. Bela ideia!
Boa sorte, Ana. Se quiser nos enviar após faze-lo, ficaremos felizes em avaliar.
Acho que eu vi esse método em algum filme, do qual infelizmente não me recordo bem.
Mas é uma ótima maneira de exercitar a criatividade….
Post muito util…valew
Gilvany, uma parte desse método foi criada com base em histórias do Dupin, personagem detetive criado por Edgar Alan Poe, que mais tarde inspiraria Arthur Conan Doyle a criar o Sherlock Holmes.
Dupin tinha o hábito de observar tudo e todos a seu redor e tirar suas conclusões a respeito, baseando-se nos mais mínimos detalhes, já que nenhum lhe fugia. A diferença entre Dupin e nós é que ele sempre acertava. Nós teremos que recorrer à criatividade – a menos que tenhamos um gênio investigativo por aqui
Hahaha, ótimo exercício,
no último final de semana eu passei a noite de sabado fazendo “testes de personalidade” e “testes vocacionais” na internet, para cada um dos meus personagens.. Mó trabalheira @@.. Mas tive bons resultados, hehe, posso dizer que conheço melhor cada um deles agora =)
Qualquer dia desses saio pra fazer o “trabalho de campo” que foi proposto aqui nessa matéria =)
Valew galera!! =)