Como criar aqueles cenários legais e universos totalmente fantásticos e inovadores para as histórias?
Na maioria dos casos, os que têm dificuldade em criar ou ilustrar os cenários têm pouca ou nenhuma noção de como é o lugar que ele está concebendo. E por isso as descrições e ilustrações são genéricas e pobres de informação, deixando na mente do leitor uma mera e vaga noção de localidade, mais por dever do que por compreensão da real necessidade de ambientar.
Quando isso ocorre, temos uma brecha para o clichê (entenda a diferença entre clichê e convenção de gênero). O clichê está sempre à espreita dos que não tem profundidade em algum dos elementos da narrativa, e no caso da ambientação não é diferente. Se o autor não conhece o mundo onde se passa sua história, como poderá escrever honestamente sobre ele? Como criará lugares novos que nunca foram antes imaginados? Como poderá reproduzir para o leitor sensações que esse mundo proporciona se ele mesmo não as experimentou?
Na maioria dos quadrinhos nacionais há uma certa negligência no que diz respeito à ambientação. Não se trata de fazer ilustrações ultra-realista das cidades que queremos retratar, com prédios em ângulos ousados e grandes avenidas movimentadas. Tais cenários podem ser imponentes e impressionantes visualmente, mas continuam representando um lugar qualquer. Ainda que o autor coloque ao fundo de cada quadrinho uma paisagem do Rio de Janeiro, por exemplo, para deixar claro que é ali onde a história se passa, ainda assim, o leitor não pode conhecer a cidade. Se ele quisesse conhecê-la visualmente, procuraria por fotos no Google.
O que o leitor quer é visitar o lugar. Isso só é possível quando o autor tem algo a dizer sobre a cidade (no nosso exemplo). Como é viver nela? Como são as pessoas ali? Qual é o clima, a política, a segurança? Essas são algumas das muitas perguntas que devemos nos fazer se quisermos levar o leitor a um “tour” pela nossa história.
Essa negligência à ambientação fez com que vários autores nacionais se preocupassem muito com a imagem, o visual. Podemos nos remeter principalmente aos mais patriotas que tentam situar o leitor no Brasil, mas ao lermos cada página, soa como se fosse uma história clonada das norte-americanas ou japonesas, só que com outro cenário atrás das personagens, que nada influenciam no seu modo de agir, pensar e falar. Tais autores fracassaram na missão a qual se propuseram que era escrever uma história genuinamente brasileira, feita para brasileiros, porque a única coisa que se assemelha ao Brasil é o visual, sendo que é possível criar uma ambientação totalmente fictícia, e ainda assim, totalmente identificável para os brasileiros.
Ao criar um lugar, não devemos simplesmente escrever e ilustrar de forma genérica. Quando assim fazemos, criamos um lugar vazio, sem vida. Por outro lado, se concebemos um ambiente completo, com todos os seus elementos em seus devidos lugares, podemos simplesmente “passear” por ele com uma “câmera” na mão e capturar tudo o que acharmos conveniente para a história. Muitas coisas passarão despercebidas pelo leitor, mas não por você que assume total controle da cena decidindo o que vale a pena ser mostrado ou não. E mais, você terá uma gama de informações para saber como as suas personagens reagirão nesse ambiente.
Pode parecer exagero, um trabalho dispendioso e você pode se sentir chateado por ver que muito das coisas que criar sequer serão conhecidas pelo leitor, mas o fato é que muitos problemas podem ser resolvidos quando se tem um universo com suas regras e elementos bem estabelecidos. É muito comum chegar a um ponto da história em que não se sabe o que fazer porque as personagens estão em um lugar ou situação em que falta uma informação adicional.
Conhecer seu ambiente é fundamental. Tanto as personagens quanto os leitores carecem mais do que meramente um cenário, como se fosse pinturas teatrais colocadas atrás dos atores no palco. Ao invés disso, podemos criar lugares agradáveis, nostálgicos, acolhedores, ameaçadores, caóticos, terríveis. Tudo por uma experiência vívida e intensa para leitor. Não vale a pena criar um mundo tão acolhedor do qual seus leitores sentirão saudades ao terminar a leitura? Ou um mundo tão terrível que eles ficarão aliviados ao terminar e se lembrarem que é apenas uma história?
Aqui fizemos uma abordagem rápida sobre a importância de ambientar em contraste com a praticidade de criar cenários simples. Nas próximas edições falaremos mais detalhadamente a respeito de cada um dos aspectos mais importantes da ambientação. Você também pode conferir uma introdução a esses aspectos em nosso suplemento impresso. Até lá, gostaríamos de propor este exercício de observação: Exercício – Transforme a observação na criação de um mundo.
Boa escrita.









tinha te a ideia de exemplos, mas com certesa a do exercicio foi muito melhor
Valeu
ADOREI!
Vou tentar fazer o exercício!
Mande pra nós depois o//
Gostaria de saber… ONDEEE!! esta o exercicioo? u.U TeM CoMo Me DiZeR???
aaaaaa desulpaa!!! eu ja vi o exercicio muito obrigada vou veer ser consigo fazer ok?
^^
Lendo sobre ambientação me lembrei de um mangá que li ontem e gostaria de deixar como sugestão: Sun Ken Rock, excelente ambientação. Sou um Roteirista Wannabe e estou usando esse site para direcionar meu trabalho e estou achando excelente, gostaria então de dar ao menos uma contribuição na forma de uma dica. Obrigado!
Olá, Rafael. Obrigado pela dica. Está anotado!