UA-17290280-1

Quadrinhos e Comunicação – Motivação da História

2

Categoria : Quadrinhos e Comunicação

Para quem você está contando sua história? A resposta a esta pergunta precede o próprio ato de contar uma história porque é uma preocupação fundamental da transmissão. O perfil do leitor – sua experiência e características culturais – tem de ser levado em conta antes que o narrador possa contar a história com sucesso. Uma boa comunicação depende da memória, da experiência e o vocabulário visual do próprio narrador. (EISNER, 1996, P. 51)

O intuito de uma obra artística, independente de seus aspectos ou para qual mídia ela foi desenvolvida é apenas um: gerar uma reação o receptor. Não interessa qual, cada obra vai tratar de determinada sensação de acordo com o intuito do artista. Para que o autor consiga transmitir a mensagem que deseja passar, ele deve saber utilizar as ferramentas existentes no meio (no caso a arte seqüencial) e o mais imprescindível, ter em mente que para que sua história de certo, ela deve se comunicar com o público.

De que adianta realizar uma obra vazia, que não consegue se comunicar com o leitor, não trás nenhuma reação ou experiência nova e que não permite uma identificação por parte do público? O ser humano sente uma necessidade inata de se expressar. Para que a expressão seja recebida e, o mais importante, entendida por todos, o artista deve dominar o meio para que a mensagem tenha sucesso em ser enviada e desperte um tipo de reação, uma interação entre leitor e obra.

Afirma Eisner: “O narrador tem, primeiro, que ter algo a dizer, e, então, ser capaz de manusear as ferramentas para relatar algo.” Vamos nos aprofundar neste primeiro ponto levantado, ter algo a dizer.

Não importa que tipo de obra, uma obra sempre vai ter um discurso implicado, direto ou indireto, que de certa forma reflete a vivencia do autor, suas crenças, ânsias e medos, e isso implica diretamente no discurso da obra. Quando uma criança desenha seus pais na forma de palitinhos e exibe essa sua forma de expressão alegremente para eles, é possível identificar naquele desenho uma expressão de amor em relação aos pais pela criança. Ela não possui técnica e muitas vezes nem ciência do que está fazendo, mas está expressando artisticamente o amor que tem pelos pais, de maneira a usar o repertorio que ela conhece (os bonecos de palitinho). Seria muita inocência acreditar que uma obra está isenta de qualquer juízo, como afirma alguns artistas, não tendo nada a dizer, apenas entreter, mas até o puro entretenimento está dizendo alguma coisa.

Realizando um paralelo temos a discussão de texto cinematográfico chamado “Da Abjeção” redigido pelo crítico e cineasta francês Jacques Rivette, onde ele crítica veementemente a posição de outro cineasta, Gillo Pontecorvo por “embelezar a crueldade” em um de seus filmes, Kapo1, onde ele faz uso de um recurso técnico, o travelling2, de uma cena onde a personagem principal judia é executada na cerca de um campo de concentração na tentativa de fuga.

Trazendo essa discussão para o âmbito que nos interessa, o da arte seqüencial, chegamos ao segundo ponto levantado por Eisner, tudo em uma obra de arte seqüencial possui um sentido de estar ali, a maneira como utilizamos o layout, a disposição de quadros, o requadro, os balões, as onomatopéias, os diálogos, a composição dos quadros indo até os desenhos dos personagens, tudo numa obra está representando algo, que nos permite utilizar esses recursos para apoiar o que estamos defendendo ou refutar algo que somos contra. A questão é que o discurso está lá, pois o ser humano não é isento de opinião, não existe a imparcialidade em uma obra artística.

O que nos leva a refletir, qual a motivação da história? A obra artística possui uma potencialidade discursiva incrível, contando com o envolvimento emocional do receptor o tornando mais suscetível a idéias. Portanto é imprescindível analisar o que motiva nossas historias, como autores que somos responsáveis pelos efeitos gerados por nossas obras. A reflexão sobre o que realmente desejamos contar se torna a essência do nosso trabalho e o uso das ferramentas que compõe toda essa gama de combinações para gerar uma obra, estarão sendo motivados por algo, mas a verdadeira pergunta que eu gostaria que você autor se fizesse antes de iniciar uma obra é: o que a motiva?

1 Kapo é um filme italiano sobre o Holocausto, dirigido por Gillo Pontecorvo em 1959, que tem como palco um campo de concentração da Segunda Guerra Mundial.

2 Travelling, na terminologia de cinema e audiovisual, é todo movimento de câmara em que esta realmente se desloca no espaço – em oposição aos movimentos de panorâmica, nos quais a câmara apenas gira sobre o seu próprio eixo, sem se deslocar.

Fontes:

Narrativas Gráficas de Will Eisner.

Da Abjeção de Jacques Rivette.

Parceria:

banner sigma pi manga Quadrinhos e Comunicação   Motivação da História

Posts Relacionados:

Comentários (2)

eu queria que você me mandasse um exemplo de um roteiro, para que eu possa fazer um roteiro para meus desenho!

Luciano logo mais teremos artigos que trabalham com essa tematica, dê uma olhada e continue acompanha do site, valeu pela preferencia! ^^

Postar um comentário

Stop SOPA