Gêneros – Vida longa e próspera, a ficção científica

Written by  //  janeiro 6, 2011  //  Gênero  //  21 Comments

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Com raízes fincadas no século XIX, a ficção científica, um dos mais importantes gêneros narrativos, nasceu. Também conhecida como Sci-Fi, algumas características típicas desse tipo de literatura são encontradas nas obras de Voltaire, Jonathan Swift, Edgar Allan Poe, como viagens à Lua e culturas alienígenas.

A ficção científica como conhecemos, porém, tem seu advento na obra de dois escritores do século XIX. Os romances científicos de Julio Verne e H.G. Wells dão o pontapé inicial no estilo narrativo que um dia possuiria os seus sabres de luz e suas naves espaciais com raios laser. Para conhecer o berço desse tipo de ficção, é mais do necessário ler os livros desses dois.

Júlio Verne

Julio Verne

Obras do francês Julio Verne, como Vinte Mil Léguas SubmarinasViagem ao Centro da Terra, Da terra à Lua, são alguns dos títulos interessantes para quem quer conhecer a obra desse tão criativo e visionário autor, que, em seus textos, já escrevia sobre máquinas voadoras, submarinos e viagens à Lua. Já Herbert George Wells, ou simplesmente H.G. Wells, por seu lado, criou obras significativas como A Máquina do Tempo, O Homem Invisível e A Guerra dos Mundos.

Logo abaixo, vocês podem ver a primeira das seis partes do documentário Visionários, que fala da vida e obra desses autores que foram tão importante para a literatura mundial e para a atual cultura pop.

Parte 1 do documentário Visionários: http://www.youtube.com/watch?v=EQFvgQ1xxc4

Diversos outros autores deram continuidade a esse gênero. Arthur C. Clarke, Isaac Asimov, Aldous Huxley, Hugo Gernsback (esse, por sinal, foi o primeiro a usar a cunhar a palavra scientifiction, que viria a se desdobrar e ser, a partir de então, o título de todo um gênero). Para um melhor entendimento de tudo que a ficção científica possui,é recomendável ler as obras desses caras.

H.G. Wells

H. G. Wells

Com o passar dos anos, a ficção científica como forma de narrativa acabou por ser dividida em duas formas diferentes de ficção. A Ficção Científica Soft e a Hard.

A diferença entre elas, em suma, é bem simples. A ficção Hard tem como ênfase os avanços tecnológicos, os fenômenos físicos e astronômicos. Na trama, a tecnologia é mais importante para o desenrolar da história do que os personagens. O grande embasamento teórico é um fator importante para a criação de histórias desse tipo de ficção.

Na contrapartida, quando a ênfase é nos sentimentos dos personagens, e os aparatos tecnológicos se tornam plano de fachada para uma história, estamos falando da categoria Soft.

Um exemplo interessante de ficção científica soft dos quadrinhos (AÊÊÊ FINALMENTE!) é a graphic novel 100%, com roteiros e arte de Paul Pope. Num Nova Iorque no ano de 2038, onde várias corporações tomam conta do mundo, o desenrolar da história segue o rumo de três histórias de amor que se entrelaçam.

100% de Paul Pope. Em um mundo tecnológico, histórias de amor se entrelaçam.

A ficção científica, seja ela Hard ou Soft, possui subgêneros, ambientações as quais podem ajudar um autor a situar sua história. Dentro da ficção científica, existem diversas divisões, e essas divisões possuem suas próprias divisões e misturas. É uma doideira só, mas que serve de embasamento pra se construir histórias interessantes. Logo abaixo, vou citar alguns dos mais importantes subgêneros da Ficção Científica, e no decorrer dos próximos meses, pretendo escrever para vocês, leitores do Quadrinize, algo a mais sobre cada gênero, citando exemplos e tudo mais.

Ciberpunk: Uma das mais conhecidas estéticas da ficção científica, a tecnologia aqui, ao invés de levar o homem à evolução, transforma o futuro em algo sujo e decadente, no meio de uma grande distopia. Grandes painéis de neon são vistos nas mesmas cidades onde a vida humana tornou-se algo deplorável.

Pós-ciberpunk: advindo do ciberpunk, esse subgênero fala de uma sociedade também tomada pela tecnologia, porém, diferente de seu “antepassado literário”, os benefícios sociais sobrepõem os problemas, e a ordem é sempre algo desejado.

Steampunk: um dos subgêneros mais legais na minha opinião. A tecnologia aqui é movida a vapor, e a estética visual é bem próxima da art nouveau, o aspecto vitoriano e os modos dos personagens são típicos da época em que Verne e Wells escreveram seus livros, ou seja, em torno do século XIX.

Dieselpunk: Aqui, ao invés de vapor, possui o diesel como combustível a evolução. Diferente do Steampunk e seu visual vitoriano, o Dieselpunk se desenvolve em torno da estética típica da década de 1950, com grande ifnluência da art decó.

Biopunk: Nesse subgênero, a ênfase da evolução tecnológica se vê no aperfeiçoamento ou evolução do aparelho biológico, da vida, seja através de implantes, de mutação genética, de criação de seres através da genética, etc.

Space Opera: Esse subgênero é obtido quando se une elementos de ficção científica, aventuras com heróis épicos, donzelas românticas, mundos exóticos. É também conhecida como “novela espacial“.

Outro tema que é muito constante na ficção científica são os contatos com seres alienígenas. Não sei muito bem se isso constitui um subgênero da ficção científica, porém é importante citá-lo e, no futuro, falar sobre esse assunto.

Bem, o que não falta são histórias boas que podem vir desse gênero. Muitos clichês, muita coisa que já vimos várias e várias vezes nos enchem o saco e nos dão a sensação de “ah, mas eu já vi isso naquele filme, naquele livro, naquela HQ”! Mas esse uso exaustivo acontece em toda e qualquer forma de gênero (vide os vampiros, os lobisomens, e esse povo que brilha no sol, e o número absurdo de obras com esses seres nas livrarias do Brasil).

A dica é, seja criativo. Procure ler o máximo pra você saber o máximo sobre o que vai escrever (e pra poder fazer diferente do que fizeram até então). Mês que vem tô de volta falando sobre um subgênero específico da ficção científica, o Ciberpunk!

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About the Author

Estudante de Publicidade, aspirante a roteirista e redator. Aprendeu a ler com Turma da Mônica, tornou-se um insaciável consumidor de histórias, inclusive HQs, arte na qual pretende se especializar. Em seu sangue cearense, tem piadas no lugar de glóbulos vermelhos. Colaborador de um site de humor com o nome estranho Panz e Pimba e monitor do projeto Oficina de Quadrinhos da Universidade Federal do Ceará.

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21 Comments on "Gêneros – Vida longa e próspera, a ficção científica"

  1. gwu janeiro 6, 2011 às 8:13 pm · Responder

    Asimov.

  2. TioSamuka janeiro 6, 2011 às 8:41 pm · Responder

    Muito bom o tema. No aguardo do aprofundamento de cada subgênero. Principalmente do Steampunk.

    Recentemente ouvi o podcast Papo na Estante de FC e nele possui mais alguns subgêneros, como Romance Planetário e New Weird. Pretendo abordar outros possíveis subgêneros não citados nesse post?

    Parabéns pelo post!
    Abraço!

    • PJ Brandão janeiro 7, 2011 às 12:07 am · Responder

      TioSamuka

      Sim, pretendo falar sobre outros temas além dos que existem nessa postagem, don’t worry.

      Romance planetário é um subgênero muito bom de se falar, e o New Weird, pesar de não conhecer muito sobre, pesquisarei. ;D

      E eu também tenho um apego pelo Steampunk =D
      Acho muito belo!

      Enfim, abraço grande. ;D

  3. Kiara janeiro 6, 2011 às 9:35 pm · Responder

    Nossaa que legal conhecer sobre esses estilos.. eu não fazia muito idéia, embora entenda agora lendo, e ja meio que reconheço em algumas coisas que li, hehe
    Gostei do Space OPera! hihihi, continue postando, legal o blog!

  4. Carlitos Pinheiro janeiro 7, 2011 às 12:35 am · Responder

    Pô, Pedro, orgulho de ver você postando por aqui, meu brother. Adorei o post. Também não sabia que existiam tantas subdivisões no gênero. Fico aguardando as próximas postagens.

  5. Mike Basilisco janeiro 7, 2011 às 2:23 am · Responder

    Eu, pessoalmente, adoro steampunk :D

    Vou ficar esperando por ele! =D

  6. Juscelino Filho janeiro 7, 2011 às 5:03 pm · Responder

    Pedro só da orgulho. =)
    Parabéns, fi. Ótima postagem!

    :D

  7. Fá Babini janeiro 7, 2011 às 8:04 pm · Responder

    Eu só consigo pensar numa coisa: owntchi, que orgulho de tu, Pedrito. *—-*

  8. PJ Brandão janeiro 7, 2011 às 9:45 pm · Responder

    Pedro e seu fã clube! ^^

    • Quadrinize janeiro 7, 2011 às 11:53 pm · Responder

      Impressionado 0_o

      • Carlitos Pinheiro janeiro 10, 2011 às 1:04 am · Responder

        Quem conhece sabe o porquê dos fãs. O cara manda muito bem nos quadrinhos. Já ganhou até prêmios. Orgulho dos amigos da Ufc.

        PS: Também é “dono de um olhar provocante e 100çoal. Dono de uma beleza incomparável que não se discute, ninguem derrota ele no orkut”. Isso tambem ajuda a agregar tantos fãs.

        • PJ Brandão janeiro 10, 2011 às 1:09 am · Responder

          Amigos, servem pra falar bem…

          e logo em seguida destruir sua credibilidade ‘-’

  9. Kadu janeiro 12, 2011 às 10:17 pm · Responder

    Ficção Científica é um dos meus gêneros favoritos e da maioria dos nerds, eu acho.

    Vou acompanhar os futuros posts, para aprender mais (:

    • PJ Brandão janeiro 12, 2011 às 10:49 pm · Responder

      Pode acompanhar, meu caro! =D
      Mês que vem tem ficção ciberpunk!

      Obrigado pelo comentário. ;D

  10. rafael janeiro 14, 2011 às 3:11 pm · Responder

    gostei do post muito bem construido e explicativo,concordo com vc q no mercado as vezes tem muita coisa igual a outra como os vampiros

    • PJ Brandão janeiro 14, 2011 às 3:21 pm · Responder

      Vê-se pelas obras mesmo audiovisuais que tão rolando. A saga Crepúsculo, as séries True Blood e Diários de um Vampiro, todas baseadas em livros. Um dia desses passando numa das livrarias daqui do Ceará, eu vi uma grande bancada só com livros de vampiros, de Anne Rice (*-*) à Stephenie Meyer (¬¬)

      A vibe do atual mercado é colocar grandes seres míticos em histórias cujo público alvo é o adolescente (tá bom, True Blood foge disso), como, por exemplo, mais atualmente, o livro “Suspiro” (“Hush, hush” no original) que tem como linha narrativa a ideia de paixão adolescente, porém usando como plano de fundo a história de anjos caídos.

    • PJ Brandão janeiro 14, 2011 às 3:43 pm · Responder

      E muitíssimo obrigado pelo comentário e pelos elogios! =D

      • rafael janeiro 14, 2011 às 11:31 pm · Responder

        de nada =D

  11. Hugo Vera junho 13, 2011 às 1:49 pm · Responder

    Muito bom o artigo. Mas tenho uma ressalva a fazer. Você escreveu o seguinte: “A ficção Hard tem como ênfase os avanços tecnológicos, os fenômenos físicos e astrológicos”… Na verdade a FC não estuda “astrologia” (que é místico, quando não pseudo-ciência) e sim a “astronomia”. Portanto, ficaria mais coerente neste parágrafo dizer “fenômenos físicos e astronômicos”.
    De resto, parabéns pelo artigo.
    Abraços e sucesso!

    • Quadrinize junho 14, 2011 às 10:08 pm · Responder

      Oi Hugo. Obrigado pela visita e pela observação. Bem, creio que posso falar em nome do nosso colunista, já que ele se encontra off: foi uma confusão de terminologia mesmo. Estou editando o texto.

    • PJ Brandão junho 14, 2011 às 11:20 pm · Responder

      Verdade. Manjo a diferença entre ambos os termos, foi só um erro de digitação mesmo. =D

      Obrigado pela ressalva, grande Hugo. =D

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