Gêneros – Muito combustível, a ficção científica Dieselpunk
Written by PJ Brandão // abril 19, 2011 // Gênero // 9 Comments
Décadas de 30, 40 e 50. O futuro se encontra aqui. As guerras afloram os ideais nacionalistas, e é nesse universo embebido em patriotismo que um outro gênero de ficção científica brota. Enquanto no Steampunk a tecnologia é empurrada pelo vapor, o combustível do Dieselpunk é outro!
É interessante as comparações entre ambos os tipos de ficção científica para termos um melhor embasamento sobre as diferenças entre elas. A época do Steampunk se encontra no final do século XIX. O dieselpunk já acontece na primeira metade do século XX. Embaladas com muito rock’n’roll e ideais nacionalistas e progressistas, as massas humanas se empenhavam em levantar as grandes metrópoles, pois o futuro está nas cidades.
O progresso se encontra nos trens, nos carros, nos aeroplanos, nas lambretas, no luxo urbano, tudo “alimentado” por muito óleo. Uma constante dicotomia, no entanto, se encontra nesse universo: a juventude “rebelde sem causa” que se joga nos embalos de sábado à noite e as batalhas além do oceano, contra países fascistas. O medo de um apocalipse nuclear também era constante e a guerra fria começou a se alastrar pelas vielas do planeta.
Esteticamente, os arabescos da art nouveau steampunk dão lugar à geometria, simplicidade e formas arredondadas da art déco, movimento de design que teve seu ápice entre as décadas de 1920 e 1930. As curvas sinuosas moldam o design de veículos, roupas, armas e outros aparatos importantes que dão uma singularidade incrível à estética dieselpunk. A influência da art decó também se estende a construções e estátuas como, por exemplo, o Cristo Redentor.
Uma obra audiovisual que descreve muito bem a estética e a narrativa dieselpunk é o filme Capitão Sky e o Mundo de Amanhã, com estrelas no elenco como Jude Law, Gwyneth Paltrow e Angelina Jolie. O filme foi feito em grande parte por computador, com os atores sendo filmados em frente a um fundo azul. Eu particularmente achei o filme muito bom, e a tecnologia dieselpunk está sempre presente.
Nos quadrinhos, o melhor exemplo desse tipo de ficção é Rocketeer, um super herói criado na década de 80 pelo roteirista e desenhista Dave Stevens para homenagear os heróis da década de 30. A HQ rendeu um filme em 91.
Outra obra de quadrinhos que pode ser citada é que veio a tona através da mente e das mãos de Dave Gibbons. Mais conhecido por trabalhar ao lado de Alan Moore na mais aclamada graphic novel de todos os tempos, Watchmen, Gibbons, roteirizando e ilustrando, cria em The Originals uma história de conflito entre gangues com detalhes sutis da ficção dieselpunk.
Apesar de não saber muito do universo Marvel (nada além do comum), posso afirmar algumas aventuras do Capitão América, na época da Segunda Guerra Mundial, também possuem elementos do dieselpunk, como já podem ser vistas em algumas imagens do filme sobre Steve Rogers.
E é ao som de músicas clássicas de jazz, rock e blues, dentro de carangos envenados, lambretas em alta velocidade, e aviões de guerra que as aventuras dieselpunk se desenrolam, com muito charme e elegância típicos dos anos 30, 40 e 50, sem se esquecer, é claro, de abastecer o tanque.
Bem, espero que tenham curtido essa postagem. Mês que vem venho com mais algum gênero de ficção científica para deleitar vossos olhos. Vocês tem alguma preferência? Caso sim, respondam nos comentários, indiquem qual o próximo gênero que vocês, leitores da Quadrinize, querem ver. Valeu, galera!

























9 Comments on "Gêneros – Muito combustível, a ficção científica Dieselpunk"
Muito bom o post, sempre que leio seus posts dá vontade de reblogá-los. Muito legal mesmo. xD
Aquela gangue me lembrou os policiais do Planeta do Tesouro.., que curto muito.
Então lá vai, já que tô meio sem idéia do que pedir, gostaria que vocês fizessem um post falando sobre ‘Piratas Espaciais’. Putz’ como amo esse tema.
Abração,
Jotta
http://metacomics.blogspot.com/
O dieselpunk não me atrai muito.
Até pode sair algo interessante, mas…
Tanto o diesel quanto o steampunk, apesar de serem movimentos literários, possuem sua verdadeira força na estética. A estética do diesel não é tão “charmosa” quanto do steam.
Uma coisa que se fala bastante do steampunk é que de punk tem nada.
Isso também ocorre com o dieselpunk?
Antes de responder, qual sua definição de “punk”?
O “punk” é muito mais um termo cunhado para definir a estética como aldo que exagera um determinado aspecto tecnológico da era em que se encontra, ou da visualização de um futuro.
Acho que a ideia empregada no que dizem que “de punk não tem nada” é porque punk é sempre algo muito veiculado àqueles movimentos darks, pesados e muito loucos que temos em alguns movimentos musicais.
Mas o conceito por trás da palavra “punk” que se insere nas denominações dos subgêneros de ficção científica é a “transgressão”, o “ir além”, o “revolucionário”, saca?
O steampunk e o dieselpunk são gêneros cheios de classe, belos, com ornamentos e tal. Logo, por isso, pode ter um embate com a ideia do “punk transgressor e rebelde”, entende? Mas a evolução está lá, a rebeldia se dá através das mudanças muitas vezes radicais causadas pela tecnologia.
Outra coisa, o termo “punk” ficou muito forte depois que o gênero ciberpunk foi desenvolvido (mais informações sobre esse gêneros, você pode dar uma olhada aqui nesse mesmo site em que estamos com um texto desse mesmo jovem que vos fala http://www.quadrinize.com/2011/03/04/generos-neon-e-niilismo-a-ficcao-cientifica-ciberpunk/), logo, nada mais eficaz do que usa-lo também para denominar outros subgêneros de ficção científica com a mesma ideia de exacerbamento tecnólogico.
Segundo minha opinião, punk se adequa bem a todos os casos.
Espero ter respondido bem a sua dúvida. ^^
Obrigado por atropelar minha resposta hauhauahua (sem probls, é o seu post ^^).
Só acho que o punk tb tem a ver com a rebeldia contra o sistema socio-politico-economico vigente no mundo ficcional da história. Geralmente representado pelos politicos, pelas mega cooporações, ditadores, por aí vai.
Uma das máximas difundidas pela sub-cultura punk é o artesanato, o “faça vc mesmo”, e isso está presente na grande maioria das historias dos subgeneros punk (quem nunca viu aquele hacker que constrói seu próprio implante ocular ou o mecânico que constrói seu próprio carro a diesel/vapor?).
E, claro, o visual é sempre o que mais chama a atenção, em qualquer coisa que leve o sufixo “punk”.
HAUHAUHAUHUAHA
Foi mal, mestre!
HAUHAUHUAHUAHUHAU
Puxa, gostei das respostas. Muito obrigado.
É que sempre que vejo o pessoal falando do punk (o que não é um número muito grande de vezes XD) é mais pra questão da corrupção da sociedade, um mundo “sujo”, luta contra o sistema, transgressão. Aquela coisa mais agressiva que normalmente se vê no cyberpunk.
E o steampunk não vejo muito disso. Apesar que não li muitas obras steampunk.
O steam é muito progessista, classudo, nobre. Não é exatamente algo muito próximo do cyberpunk, por exemplo.
Muito interessantes esses novos pontos de vista que vocês me apresentaram. Não tinha parado pra pensar assim.
o/
Pode reblogar, grande Jotta! =D
Desde que coloque os créditos, não vejo problema! =D
E sobre o Piratas Espaciais, acho que se enquadra em um gênero chamado Space opera, que mais cedo ou mais tarde vai ganhar uma postagem aqui. =D
Don’t Worry! ;D