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Roteiro – Começando a desenvolver o projeto (ou Roteirista x Desenhista) Parte 1

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Categoria : Criação e Roteiro

A partir desse post, começaremos a publicar uma série sobre o desenvolvimento do seu projeto. Afinal, falamos muita coisa sobre ideias e criação. Agora vamos começar a botar a mão na massa (mas continuaremos a postar sobre criação, não se preocupem).

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Primeiro, gostaria de dizer algo sobre o mercado de produção. Sei que muitos de vocês, principalmente os mais novos, tem uma visão romântica sobre a profissão de roteirista/desenhista de quadrinhos. Alguns até sonham em publicar um mangá no Japão! Fazer HQs deve ser encarada como outra profissão qualquer, é preciso muito estudo e dedicação. Só pra se ter uma ideia de como temos uma visão muito florida sobre o mercado, veja essa matéria da Mariana Bassi na revista Fantástica, onde ela fala sobre Bakuman, Bokuman e as verdades sobre a indústria japonesa de mangá. Nos faz parar de invejar os japas, não é mesmo? Espero que sim.

Nessa série falaremos sobre formas de escrever, estruturar e organizar um roteiro, como transmitir suas ideias ao desenhista, como apresentar a um editor, e outros assuntos que povoam de dúvidas a mente dos autores. Não existe uma “forma correta” de desenvolver e apresentar um projeto. Isso varia de acordo com cada autor e editora. Temos que entender que, acima de uma formalidade, uma apresentação é um inicio de relacionamento entre dois (ou mais) profissionais. Por isso, é necessário o máximo de clareza, objetividade e seriedade para que essa relação comece com o pé direito, sadia como deve ser.

Por isso existem algumas convenções internacionalmente conhecidas e aceitas que facilitam a vida de todos os profissionais envolvidos em uma produção, e essas regrinhas podem servir para Hqs, cinema, televisão…

Para economizar espaço, indico a vocês a leitura desse texto do blog do Joe de Lima, onde ele explica rapidamente e de forma eficaz como pode ser feita a apresentação do projeto de quadrinhos. Leia e depois volte aqui.

cafe quadrinize Roteiro   Começando a desenvolver o projeto (ou Roteirista x Desenhista) Parte 1

relogio homer Roteiro   Começando a desenvolver o projeto (ou Roteirista x Desenhista) Parte 1

 

Já leu o post do Joe? Ótimo. Tudo o que ele explica facilita a vida de todo mundo. Eu voltarei a falar sobre isso em posts futuros.

Apresentando o projeto para o desenhista

Roteirista e desenhista formam uma dupla que permanecerá junta durante todo o tempo em que a HQ for produzida. Com sorte, esse relacionamento se transformará em uma amizade para a vida inteira. Então é muito importante que ambos se tratem de maneira saudável, independente do tipo de acordo que tiverem (parceria, desenhista contratado pelo roteirista, ou ambos contratados por uma empresa, ou whatever).

Não há uma regra. Cada caso é um caso e o aprendizado será por tentativa e erro. Muita coisa se aprenderá intuitivamente. O que direi são dicas que podem ajudar, desde que você não as tenha como verdades absolutas.

Mas antes disso, você precisa encontrar seu desenhista, caso você não o seja, certo? Você pode conseguir:

  • Um parceiro. É um desenhista que não vai receber nada À VISTA pelo trabalho, mas que dividirá com você os créditos de criação e os direitos de autor. Ou seja, o que você ganhar com a HQ, dividirá com ele. Em outras palavras, a HQ também pertencerá a ele. É o caso de Watchman, o desenhista Dave Gibbons sempre é mencionado como autor ao lado de Alan Moore. Dá trabalho encontrar alguém assim com nível profissional. Sua história deve ser muito boa para atrai-los, eles precisam se assegurar de que valerá a pena investir tempo e material no seu projeto.
  • Um profissional contratado. Não precisa explicar, né? Você paga à vista, ele desenha. Você é o autor, ele é o ilustrador. Os direitos a partir da publicação são todos seus. É fácil de encontrar gente muito boa e sua história pode ser a pior que ele já leu, contanto que você mostre a grana antes.

Aqui vou focar na parceria, porque é o que incentivamos todos a procurar. Você encontrou alguém talentoso, disposto e com tempo de sobra (praticamente um milagre)? Agora, bem, você precisa mostrar o projeto ao desenhista.

Mas você não vai mostrar o roteiro inteiro a ele agora, tampouco um resumo do primeiro capítulo (ato muito comum entre os iniciantes mas que não mostra nada sobre a história em si). Você deve, além de enviar o plot e sinopse que o Joe ensinou a fazer, montar algo que dará a ele uma boa noção visual.

Visual? Sim, pela minha experiência com desenhistas, acredito que a melhor forma de tratar com eles é apresentando textos que os possibilitem visualizar e imaginar com empolgação o que eles irão desenhar. É o que normalmente os estimulam. Por isso, além de fazer aquela apresentação do blog do Joe, você irá incluir detalhes visuais nas fichas dos personagens (aparência física, vestuário, tipo de cabelo, cores) e elaborar um bom texto sobre a ambientação. Descreva rapidamente os locais por onde o protagonista irá percorrer pela história. Esse conjunto de textos permitirá ao desenhista imaginar as possibilidades de ilustrações, e quanto mais competente você for nessa etapa, maiores são as chances dele se interessar pelo projeto.

“Mas o importante não é a história?”

Claro, mas para que tanto o desenhista quanto o leitor se interessem na história a ponto de achá-la importante, você deve investir esforços na estética da HQ bem como na comunicação eficaz.

Quando você escreve para o desenhista é sempre bom procurar assimilar a linguagem dele. Não seja formal demais se ele fala o tempo todo com gírias, ou vice-versa. O texto deve ser amigável, agradável. Se possível, divertido. Fazer HQ deve ser uma experiência legal para ambos, então comece escrevendo descrições bacanas. Perceba o tipo de humor do desenhista, conversem sobre bobagens, se possível se encontrem, vão a um bar (eu não bebo, mas podem me convidar pra tomar um refri) e assimile esse contato entre vocês no seu texto.

Não precisa escrever errado e com gírias se o desenhista escreve assim também. Não é isso. Se trata de você conseguir fazer seu texto atingi-lo de forma que ele seja seu leitor cativo. Se você está devidamente acostumado a ler e escrever, sabe do que estou falando. Isso será importantíssimo quando ele estiver lendo seu roteiro de mais de 100 páginas, cheio de informações de ângulos, planos, poses e diálogos. Linguagem técnica o tempo todo é chato e cansa. Be fun.

Por último, vale reforçar as palavras do Joe: não tenham tanto receio de mostrar suas histórias. Tem muita gente tão paranoica com isso que até parece que acharam a pedra filosofal das ideias (?) e que tem a melhor história do mundo de todos os tempos, e ninguém, ninguém pode saber antes dele publicar (!!!). Claro que devemos ter cuidado com os plagiadores, mas não é como se as pessoas estivessem o tempo todo à espreita, só esperando que alguém revele suas ideias de roteiro para rouba-las e… e… ficar ricos com elas!!! Oras, um pouco de realismo. Se suas ideias são tão geniais assim, registre e mande para as mega-editoras internacionais. Mas as chances de que sua história valha tanto a pena sao… bem, são pequenas.

Além disso, as ideias não te pertencem. Elas pertencem ao coletivo. Mas isso é assunto para outro artigo.

No próximo texto da série, falaremos sobre o segundo passo da relação roteirista-desenhista. Aqueçam os dedos!

Parceria:

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Comentários (9)

Esse é um tema da maior importância, mas quase não se acha material de referência sobre montar um projeto, o quê me levou a criar esse texto.

Pela iniciativa por trazer esse tema, e obrigado por manter como membro honorário da Quadrinize.

Muito bom galera! Apesar de eu desenhar, também gosto de escrever, criar. Estarei acompanhando esse “passo-a-passo”!!

Obrgado, espero que a série seja útil para seus projetos. Pode comentar e sugerir coisas sempre que quiser.

Começar a desenvolver sempre é cansativo e chato, mas como disseram é bom ter o roteirista ou vice-versa como amigo, mas também não abusar da amizade, e não se importar com a entrega de desenho ou vice-versa pelo fato da amizade, sempre sendo pontual e nunca prometendo algo que você não pode fazer.
resumindo
É bom ter amizades em trabalhos, mais não abuse, ou você é trocado por alguém melhor

Gostaria de saber se vcs aceitam parceria?

Que tipo de parceria?

Bom, de todos os tópicos desta coluna escritos por você, achei este aquele com a abordagem menos interessante, talvez unilaterial.

É uma problemática muito complexa.
Não me considero escritor ou roteirista,
mas aprendi a realizar essas atividades,
porque gosto de realizar/desenhar as minhas próprias histórias e idéias.

Mas na verdade, o meu problema é com o desenhista! [sim, comigo mesmo!]
Meu desenhista é muito chato e exigente com tudo,
e só desenha na hora que bem entende, e ai de quem reclamar!! Ele NÃO admite sob hipótese alguma que eu pegue toda a autoria da obra para mim, ainda que eu estivesse pagando pra ele “ilustrar” meu roteiro.

Eu tive que me acostumar com esse desenhista,
não é que não tenhamos alguma afinidade…
Mas hoje, está em discussão até quem é o autor principal, e quem veio primeiro (o contador de história ou o desenhista)!! Já considerei pagar ao desenhista, pois assim, talvez, ele fizesse as coisas mais rápido, de boa vontade, com mais qualidade, e possivelmente respeitando prazos. Claro que eu o creditaria com qualquer lucro do futuro gerado pela obra, afinal de contas, é justo que ainda 50% da autoria seja dele. Meu desenhista não tolera Copyright e afins.

***

Contudo, a minha recomendação, enquanto autor (autor-hobbyista) é: aprenda a desenhar, assim, você se torna “independente”. E isso tem um grande valor. Hoje, é acessível aprender a desenhar.

Bem, você sabe o quanto eu prezo e recomendo parcerias… então fica aí a discordância.

Unilateral? Provavelmente, pois é o texto que mais surgiu de experiencias pessoais, então ele é apenas um punhado de dicas para quem quer – nem por isso deixa de estar alinhado com a dificuldade que vi em muitos grupinhos.

Obrigado por compartilhar.

Bom, com certeza, toda experiência neste mundo é válida. Até pelo desafio que representam as parceriais autorais e/ou artísticas. Toda experiência é pouca, uma vez que cada parceria, é uma nova aventura!

Pela minha própria experiência em parcerias, hoje considero que NUNCA uma parceria deve colocar um projeto acima da vida dos próprios colaboradores.

Angel, você lembra da história da “idéia morta”?
Então agora, imagine a mistura, num recipiente fechado, entre uma “idéia morta” e uma “parceria que tem como princípio a priori considerar o projeto mais importante do que a própria vida dos autores!”

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