Gêneros – O futuro está no DNA: a ficção científica Biopunk
Written by PJ Brandão // julho 5, 2011 // Gênero // 9 Comments
Vivemos em um mundo onde cientistas lidam com transgênicos, procuram a cura de inúmeras doenças, enquanto outros, talvez trabalhando para terroristas, estão desenvolvendo vírus e bactérias indestrutíveis, capazes de dizimar nações inteiras. Já falamos aqui na Quadrinize! de futuros ficcionais (pelo menos por enquanto) onde os computadores e as máquinas são simbiontes dos seres humanos, ajudantes ou inimigos mortais. A tecnologia é praticamente uma personagem atuante na maioria das ficções científicas.
Na ficção científica Biopunk, a tecnologia é usada para outro propósito. Esse gênero especulativo, cujo nome é resultado da junção entre os termos “biotecnologia” e “punk” (sufixo que serve como um denominador de “transgressão”, “mudança radical”), mostra uma mudança causada em algo minúsculo. O Biopunk mexe com o DNA, com as mutações genéticas, com a manipulação da vida, com homens querendo ser deuses. No Biopunk, a revolução é no nível dos cromossomos.
Como toda ficção científica interessante, o Biopunk não foge muito da nossa atual realidade. Afinal, muitos devem se lembrar do impacto causado pela clonagem da ovelha Dolly, em 1996. Um trabalho de clonagem, há alguns anos, poderia ser considerado uma ficção científica Biopunk, mas já é uma realidade. Cada vez mais os homens manipulam “as obras de Deus”. E ao extrapolar essa realidade (sendo “punk”) é que nascem muitas narrativas desse gênero.

Ovelha Dolly, embalsamada no Museu real da Escócia, filha de clonagem, exemplo real de um preceito Biopunk.
Talvez um dos maiores exemplos de Biopunk na atual cultura pop é um filme dirigido por Steven Spielberg em 1993. Usando efeitos especiais monstruosamente avançados para a época, Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros trouxe de volta a vida (na história, através de manipulação genética) seres que não viviam sobre a face da Terra há milhões de anos. Os filmes da série são ótimos exemplos que, às vezes, mexer com a vida pode ser algo bem perigoso (e fantástico).
Já falamos de duas grandes possibilidades da junção entre biotecnologia e ficção: clonagem e trazer de volta à vida seres de outras eras. Mas será que o ser humano, de alguma forma, não procuraria através das manipulações genéticas criar “algo” novo à vida, por dinheiro ou por experimentação?
Em Splice, por exemplo, filme de ficção científica feito na parceria entre três países (Canadá, EUA e França), conta a história de dois cientistas que, após conseguirem sucesso unindo DNA de animais diferentes usados para pesquisas farmacêuticas, decidem manipular o código genético humano para desenvolver uma nova espécie. Bem, o gênero do filme é Terror, acho que vocês já podem imaginar o que acontece no decorrer do longa metragem.
Uma história em quadrinhos chamada Nowhere Man, desenvolvida pelo roteirista Marc Guggenheim e que sairá lá nos States em novembro, também é Biopunk. A narrativa acontece em um futuro distópico, um nanovírus infectou todos os habitantes da Terra. Os infectados tem seus pensamentos monitorados diariamente por um governo opressor, até que um grupo rebelde decide desenvolver um ser humano imune a esse vírus através de manipulação genética. A história será publicada em quatro partes a partir de novembro lá nos Estados Unidos, e a aproximação do ator Hugh Jackman com o projeto deixa bem claro o intuito de transforma-la em um filme ou série.
Planetas dos Macacos – A Origem, filme que irá entrar em cartaz ainda esse ano, também é Biopunk. Um jovem cientista decide mexer com o código genético dos nossos amigos primatas e provoca uma grande rebelião que serve de prelúdio para os filmes clássicos da série Planetas dos Macacos.
Vocês conhecem mais algum filme ou livro ou HQ ou série que fala de manipulação genética? Clonagem (sem ser a novela da Globo)? Comentem aí. É sempre bom ter mais e mais exemplos.
Espero que esse artigo tenha sido útil para explicar um pouco mais sobre mais um subgênero da ficção científica.
Até a próxima.













9 Comments on "Gêneros – O futuro está no DNA: a ficção científica Biopunk"
Ah, não pode ser O clone… pode ser Os Mutantes? da record ashshassh… a vilã manipula DNA misturando o de seres humanos com animais dando-lhes poderes baseados em habilidades de animais. Ex:
Regeneração= Lagartixa
Eletricidade= Enguia
Alterar forma= Camaleão
Respirar debaixo d’agua= Animais marinhos
Super Audição/Super olfato= Cão
Super Visão= Aguia
etc…
A novela foi uma bosta, mas a idéia é legal… Mas uma pergunta, uma série Biopunk só pode ser quando os personagens são criados? e se por exemplo… uns caras tavam desenvolvendo um virus, o local explodiu e algumas pessoas da cidade foram infectadas pelo virus que se uniu ao DNA delas e as deu super habilidades?
Não era CRIADOS que eu queria dizer, era… feito em laboratório, clonado num laboratório, transformado num laboratório… ou se pode se tornar super por que alguma coisa mutou o DNA dela… tipo o Homem Aranha… a aranha transgenica (eles misturaram três poderosas aranhas) o picou e o veneno se aderiu ao seu DNA… de um jeito é uma manipulação genética…
Mutantes realmente foi uma novela muito ruim, uma bosta, acabou enveredando pelo caminho normal das novelas brasileiras (tornando-se chata!). Tinha tudo pra ser bom se tivessem feito algo semelhante à série Misfits, inglesa, com orçamento não tão alto, mas muito bem feita, por ser mais focada no relacionamento dos personagens do que nos (d)efeitos especiais.
Entendo tua pergunta, Lucas, e acho bastante pertinente. Se analisássemos, por exemplo, os X-Men, com as suas respectivas mutagenias (assim como aconteceu com o Homem Aranha), será que seria algo propositalmente produzido ou um “acidente”?
Afinal, nossos pais (ainda) não decidem que cor de olhos teremos, que mutações possuiremos quando nascermos, que cor de cabelo e pele nóss vamos ter. Eles podem calcular possibilidade, mas certeza não.
Penso que a manipulação do Biopunk é proposital ou, ao menos, experimental. Não acidental como no exemplo que você inteligentemente apresentou. Porque se formos pensar no homo sapiens atual, em todos os seres vivos e nas teorias de Charles Darwin, tipo, somos TODOS filhos de acidentes biológicos (mutações) que nos tornaram melhores e mais adaptados do que seres de outrora.
Se pensarmos dessa forma, talvez, um vírus que modifica a estrutura de alguém ou um gene novo que oferece poderes especias a algum recém-nascido não é ficção biopunk, é, apenas, evolução. ^^
Entendeu o que eu quis dizer?
Peço pra que não leve minha interpretação como fato. O questionamento que você levantou é digno de estudos aprofundados regrados a muitos comentários em blogs. =D
E você? O que você acha?
Em minha opinião (mas posso estar errado), um dos mais clássicos exemplos de de biopunk, é a A Ilha do Dr. Moreau de H.G Wells, cujo a história já foi imitada em vários filmes e outros livros, para quem não conhece segue o link: http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Island_of_Dr._Moreau
ohooo, esse é um clássico do caraca xD. Esse ano ainda vou pegar pra ler esta belezura ^^. A propósito, Frankstein encaixaria nesta temática?
Cacete, sabia que alguém ia acabar falando de Frankeistein =D
Grande William, eu acho que não é Biopunk pelo motivo de que Frankeistein não foi feito por manipulação genética, mas por uma mistureba de pedaços de gente morta. XD
Mas, repito, quem sou eu pra dizer o que é o que não é? =D
Eu tô aqui pra dizer o que é mais ou menos. HAUHAUHAUHUHAUHAUHAUH
Também tenho o mesmo ponto de vista.
Também não podemos esquecer do fator “punk” nas obras pra classificar no gênero, heim?
Já que ninguem comentou (e eu nao me seguro), recomendo a série Supergod (ou Superdeus), do Warren Ellis. Biopunk ao extremo o/
Premissa simples: vamos criar nossos deuses no laboratorio. u.u
Acho que outro bom exemplo é o livro Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, onde as pessoas são separadas em castas que definem a função que terão na sociedade por manipulação genética e biológica.