Quarta Literária – Watanabe, Champloo, Hip Hop, Bebop… ei, cadê a literatura?
Written by O Editor // julho 27, 2011 // Quarta Literária // 3 Comments
Nessa quarta, compareci à palestra do Shinishiro Watanabe, diretor de animação japonesa responsável por pérolas como Cowboy Bebop, Samurai Champloo e dois episódios de Animatrix (Kid’s Stoy e A Detective Story), entre outros.
Ele falou bastante sobre suas influências e referências, e o que mais me marcou foram suas palavras sobre a música.
Watanabe é um grande fã de música e nela, encontra suas maiores influências. Por exemplo, ao explicar o título “Cowboy Bebop“, falou sobre o movimento criado por músicos de Jazz, por volta dos anos 40, que pretendiam se livrar das complexidades do gênero. Os jazzistas precisavam de partituras para tocar o estilo, e alguns deles começaram a achar que poderiam fazer Jazz sem estar presos a essa convenção. Eles queriam liberdade de criar e improvisar em suas musicas. Daí surgiu o “Bepop”. E o “Cowboy” veio também da ideia de liberdade, de fazer as coisas a seu modo.
Ao falar de Samurai Champloo, Watanabe afirmou que o povo japones é conhecido por ter dificuldades em expressar seus sentimentos e reais intenções, mas que, acredita, nem sempre foi assim. Na época dos samurais, seria diferentes. As espadas eram um ótimo recurso para se expressar, por exemplo. E “Champloo”? É um prato do cardápio de Okinawa, que é preparado com diversos ingredientes previamente preparados e misturados… depois de frios.
Samurai Champloo também recebeu infuencias da liberdade musical. Assim como o samurai tinha sua espada para se expressar, o cantor de hip-hop tem o microfone, instrumento para compor versos e rimas de forma completamente livre, e fazendo mixagens de musicas antigas para criar novas.
Mas por que estamos falando disso na Quarta Literária? Cadê a literatura? Ora, como o assunto é “mixagem”, falemos de tudo aqui o/
Mas indo ao que interessa… Já ouviram falar em mashup? Se trata desses mesmos princípios que o Watanabe expôs à sua platéia hoje: liberdade para criar, mixagens do clássico e do pop, improviso.
Mashups são livros de autores contemporâneos que reescrevem clássicos da literatura inserindo novos elementos da cultura popular, como vampiros, zumbis, aliens… O conceito de mashup (mistura) literário ficou em voga, e foi até chamado de “modinha”, devido ao “Orgulho, Preconceito e Zumbis“, de Seth Grahame-Smith. O livro, que se tornou um best-seller, era exatamente o que o título indica: o romance de Jane Austen reescrito com o elemento “zumbis“. O sucesso foi tanto que outros vieram logo em seguida.
No Brasil, surgiram algumas obras desse tipo, o que gerou críticas e elogios. Vejam algumas farofas literária marotas:
Alguns deles apresentam muito do texto original, outros são mais criativos, escrevem com mais liberdade. Uns usam a linguagem do autor “homenageado”, outros não.
Minha intenção aqui é deixar essa dica de leitura e desafiá-los a criar a partir da mistura de conceitos. Não precisa fazer “mixagens” (faça se quiser), mas não fique pensando que temos que ser máquinas de fazer idéias 100% originais o tempo todo. ISSO NÃO EXISTE! Todos copiam e “sampleiam” algo, em algum nível. Mas como diria Pedro Almodóvar, grande diretor de cinema, “Tomar emprestado é um equívoco, para mim, só o roubo é plenamente justificável”.
Aqui vale também lembrar do nosso exercício proposto de criar uma história a partir de uma música. É uma outra boa fonte de influência. Watanabe que o diga.
O que você acha? Mashups são uma brincadeira divertida? Uma piada de mal gosto? Obras de arte? Modinha? Um bom exercício de escrita? Comenta aí!



















3 Comments on "Quarta Literária – Watanabe, Champloo, Hip Hop, Bebop… ei, cadê a literatura?"
Hahahahah! Eu quero o do Abrahan Lincoln e o do Alienista! *3*
Uma vez bolei um personagem a partir de uma música dos Gorillaz e daí uma base de história
Poxa, interessante tocar nesse tema, hein Editor? Legal mesmo. ^^
Pois é, Mike. Qualquer coisa, QUALQUER COISA mesmo, pode servir de inspiração pra criar algo.
Acho que o maior problema que vejo em muitos aspirantes a quadrinhistas é a limitação na pesquisa. Aliás, ouso até substituir o termo “limitação” por PREGUIÇA. Conheço amigos que querem fazer uma história de ninjas, e pesquisam… Naruto. Querem escrever algo relacionado à alquimia e procuram… Fullmetal Alchemist. Por que não pesquisar sobre a mitologia/folclore/profissão do ninja de fato? Por que não pesquisar sobre a alquimia em si, ao invés de seu derivado?
O resultado é que, em vez de produtos únicos, teremos apenas um subproduto do produto. Limitam-se ao produto quando poderiam ir direto na fonte. Isso é que eu não curto, entende?
Quanto aos mashups, acho uma sacada ótima; pode ser tudo que você falou, Editor: exercício, brincadeira, modismo, piada de mal gosto… o que importa que tem funcionado, não é? XDDD Só não posso entrar no mérito das obras em si porque não li nenhuma, mas achei a iniciativa bastante inusitada.
Uma amiga tem o Orgulho e Preconceito e Zumbis, e ela gostou muito. Mas, sinceramente, fiquei curioso pra ver o que fizeram em relação às obras dos escritores brasileiros, isso sim!! – Dom Casmurro… e os Discos Voadores?! Caraca!! XDDDD
Por fim, concluo reafirmando que o mashup é uma ideia muito válida, sim, e afinal, como costumo dizer entre os amigos, TUDO é referência. XDDD
Exato, meu caro. Exato.