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Personagens – Arquétipos – parte 1 (funções dramáticas)

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Categoria : Personagens, Uncategorized

Ao criarmos um personagem precisamos definir qual papel ele exercerá durante a história. Isso é óbvio. Mas quais são os papéis existentes? Apenas mocinho e vilão? Na verdade existem alguns que muitos ignoram completamente.

Funções dramáticas estão diretamente ligadas aos arquétipos e à jornada que seu personagem fará. Claro que os arquétipos de Jung surgiram bem depois da teorização das funções dos personagens de uma narrativa, já que essa história toda começou com um tal de Aristóteles. Mas minha proposta é que você reflita sobre as duas coisas em conjunto, funcionando como um relógio, com o devido cuidado de não misturar as coisas. Por isso mesmo criei essa série e falarei de funções dramáticas antes de abordar os arquétipos em si.

Funções dramáticas (ou papel do personagem)

Vale ressaltar que cada uma dessas funções pode ser exploradas de formas bem criativas. Procure não encará-las de forma tradicional ou pré-concebida e principalmente sem preconceitos do tipo “ah, isso são fórmulas, são muletas, blablabla, mimimi”. Sempre há um modo inovador (ou quase) de fazer uma abordagem das mesmas coisas. Existem muitos teóricos e grandes cineastas postulando que tudo o que fazemos é encontrar novas formas de se contar sempre a mesma história. Mas aí é assunto para outro artigo.

Protagonista: A primeira coisa a se fazer é a distinção entre “protagonista” e “herói“. É comum ouvirmos dizer “o herói da história é Fulano”, quando se deveria dizer “o protagonista da história é um herói e se chama Fulano”. Entenderam a diferença? Protagonista é o personagem principal, não importa se ele é um “herói” ou “vilão”. Na verdade, esses termos ficarão obscuros e perderão o sentido se você usá-los da forma errônea. Se o protagonista é um bandido, isso não fará dele um vilão. Ele sempre será o centro da história e o público deverá se envolver e se comover com ele (falaremos sobre o arquétipo do “Herói” nos próximos posts).

Antagonista: Da mesma forma, antagonista não é sinônimo de vilão. Ele é quem se opõe ao protagonista, independente de ser bom ou mau. É a barreira impiedosa e talvez até intransponível entre o personagem principal e seu objetivo. Não pode ser qualquer inimigo, o antagonista é o adversário do início ao fim. Mesmo que só apareça na metade da história, deve ficar claro que ele agia por trás dos panos para atrapalhar o protagonista.

O antagonista deve ser de igual força ou mais forte que o protagonista. De preferência, deve sempre estar um passo à frente.

Observação interessante. Agon é agonia em latim. O protagonista sofre primeiro e o antagonista sofre ao contrário.

Mentor: É uma espécie de guia. Essencialmente, seu papel é auxiliar o protagonista em sua jornada, através de treinamentos, ensinamentos, armas, dons, conselhos ou presentes. Aquilo que melhor se adequa ao tema da história. Geralmente é uma pessoa experiente, mas não necessariamente. O Mentor representa o Universo a favor do personagem.

Ele também pode aparecer para auxiliar qualquer outro personagem, até mesmo ao antagonista. Como o Mentor é um arquétipo da Jornada do Herói, ainda falaremos dele futuramente.

Catalizador: Também chamado de Arauto, é o agente de transformação. É quem chega de supetão na vida pacata do protagonista e diz: você é o escolhido para salvar o universo da destruição! Largue o Facebook e vá lutar contra o vilão!

Ou algo do tipo. Ele virá com o chamado para a aventura, conforme visto na primeira parte sobre a Jornada do Herói. Também pode ser um inimigo que vem dizendo: Já que você é um nerd que passa o dia todo no Facebook, vou infernizar sua vida e te jogar em um mundo virtual cheio de surpresas desagradáveis.

Par/Interesse amoroso: Meio óbvio. Só não cometa o erro de criar um personagem APENAS para ser o par/interesse amoroso de alguém, sem que isso influencie na história de alguma forma. E, principalmente, cuidado para não criar apenas mais uma mulher na geladeira.

Cômico: É o alívio cômico, muito usado em dramas, romances, aventuras e terror. O personagem engraçado. Você já sabe qual é. Mas repito o mesmo que disse acima, não crie um personagem que só sirva pra fazer piada.

Melhor amigo: É o cara que sempre está ao lado do protagonista. O amigo fiel, irmão, camarada.

Confidente: Percebam a diferença entre confidente e amigo. Confidente é aquele que guarda segredos. Pode ser o melhor amigo? Pode, mas não necessariamente.

Parceiro: É o que trabalha ao lado do protagonista, como equipe, mas não é necessariamente amigo dele. Podem ser até rivais, adversários.

Agora vem o mais interessante e, dependendo da sua história, fundamental: os personagens não precisam – e talvez não devam – exercer uma única função. E isso fica óbvio analisando algumas histórias. Em Shurato, o melhor amigo se torna o antagonista. Em Watchman, o catalisador é um parceiro que aparece morto. Na série The Sword of the Truth, o par é a parceira e ao mesmo tempo catalisador. Na mesma série, o Mentor é o Cômico e Confidente.

Outra observação importante é que por algumas histórias histórias apresentarem múltiplos protagonistas, é preciso cuidar do plot de cada um deles, ou seja, cada um pode ter seus próprios personagens satélites – antagonistas mentores, melhores amigos, pares, parceiros, confidentes, etc. Exemplo? Séries como X-Men, Batman, Naruto…

Por enquanto ficamos por aqui. No próximo mês (se assim São Aristóteles permitir) começarei a falar dos arquétipos propriamente ditos e a relação deles com as funções dramáticas. Aí a coisa começa a ficar divertida e misturebas criarão diversas possibilidades.

Até lá, pesquisem: Funções dramáticas de Lajos Egri.

Parceria:

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Comentários (17)

Curti o texto..vou dar uma lida em sequências para me ajudar a memorizar o lugar de cada personagem na história..valew..abraço.

Legal! Aguarde que tem muito a ser dito sobre esse assunto.

Muito bom!O Site tem ajudado muito no desenvolvimento do meu Livro e me graphic novel que venho tentando faz a 3 anos..
Parabens ao Site! E que mais Postagens como essas sejam escritas em 2012.
Um grande abraço a todos.

Obrigado pelo comentário, Antonio. É sempre bom saber que o site está ajudando alguém. Se tudo der certo 2012 trará boas surpresas aqui na Quadrinize :)

Boa sorte com seus projetos e sucesso!

Eu que agradeço a existência do site e de vocês que escrevem as matérias hehehehe.
E aproveitando a Data um Feliz Natal e um Feliz ano novo pessoal.

Opa, boas festas pra vc e os seus!

Muito bom o texto principalmente na parte de Antagonista fico muito bem explicado, tinha umas duvidas a respeito do antagonistas, mais foram respondidas com esse texto

Como vc disse pode ocorrer de ter mais de um Protagonista, mais ai ta a minha pergunta, Antagonista pode ter mais de um, se sim, um deles deve se destacar mais que os outros?

Sim, da mesma forma que o McKee falou no link sobre multiplos protagnistas, deve haver um que é o foco. Ele é quem carregará o significado da história. O antagonista é responsável pela antítese desse significado, colocando-o à prova.

A e antagonista seria um dos personagens principais da historia certo? tipo seria como se fosse um mocinho deverar se amado e ao mesmo tempo odiado né? E se o antagonista depois da metade da história tivesse mais conhecimento pelo publico e o autor quisesse trasforma-lo em um protagonista e deixar o antigo como antagonista poderia?

O antagonista é o pólo negativo da história. Ele é tão “principal” quanto o protagonista, só que ao inverso. Não sei se esse termo “principal” é correto, mas acho que deu pra entender.

Pode tudo. O importante é a forma que isso será contado. Não recomendo fazer isso só porque o publico gostou do antagonista. Deve ser algo planejado, você deve deixar pistas durante toda a historia de que essa virada iria acontecer. Quando você invertesse os papéis, o publico deverá se lembrar das pistas e pensar “puxa, então por isso aconteceram aquelas coisas antes”.

Não são regras, claro. Mas é uma forma de garantir que isso não desagradará ninguem e que você não perca o controle de nada.

Ótimo post, mas uma crítica: não é um pouco paradoxal falar sobre esses arquétipos logo depois de dizer que não indicaria o livro A Jornada do Escritor? (que eu saiba, esses arquétipos foram apresentados DESSA FORMA lá).
Mas fora a espetada sem maldade, estão de parabéns.
Continuem que o assunto está muito bom.

Não me lembro muito bem dos arquétipos que Vogler apresentou, mas acho que eram Herói, Mentor, Guardião do Limiar, Arauto, Camaleão, Sombra, Pícaro (que também serão abordados).

Além disso, lembre-se que os arquétipos remontam a Jung e, na aplicação mitologica, a Campbell. Vogler não acrescentou muita coisa nesse aspecto, acredito eu.

De qualquer forma, admito que há algumas coisas de Vogler em meu texto. O livro dele não é nenhum lixo, eu apenas não recomendo por ser muito “receita de bolo”. Mas as teorias lá apresentadas são corretas.

Valeu pelo comentário sincero :)

Mto bom!!!

(Por favor São Aristóteles, permita que a quadrinize siga com mais essa serie ..rsrsrs)

que blog legal, descobri por acidente 8D
ótimo texto

gostariam de trocar links de parceria?

Opa, que bom que gostou.
No momento estamos fechados para parcerias. Temos um número limite.

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