UA-17290280-1

Quarta Literária – Resenha de Capitão (Sérgio Prado)

2

Categoria : Quarta Literária

Há poucos meses atrás estava olhando as novidades das comunidades do Skoob, rede social voltada para leitores e escritores (muito boa por sinal, apenas dos seus ocasionais “bugs”), e vi uma das indicações em uma comunidade de livros nacionais (não lembro do nome agora, sinto muito =O), um nome modesto, sem grandes chamativos: Capitão. Procurei pela sinopse, e achei ali um plot interessante, principalmente pelas referências que encontrei na Jornada do Herói, do Campbell. Não havia nada de fantástico ou surpreendente, e talvez por isto me interessei tanto por esta obra do paulista Sérgio Prado. E hoje vocês vão conhecer um pouco mais sobre Capitão.

capitao sergio prado Quarta Literária   Resenha de Capitão (Sérgio Prado)

A capa do livro publicado pela Giz Editorial é resistente e prática ao tamanho diminuto do livro. O acabamento em costura sempre ajuda a manter o livro por mais tempo e a fonte, grande e legível, facilita para todos os tipos de leitores (incluindo “ceguetas” como este que vos escreve). Senti falta da organização por capítulos no livro, mas por se tratar de uma obra curta, a divisão em partes curtas, com a imagem de um caranguejo, explicada ao longo da trama, é o suficiente para manter o leitor atento ao ponto onde parou.

A ambientação de Capitão é bem feita, retratando o modo de vida simples dos personagens e suas dificuldades, nos apresentando uma comunidade ribeirinha longe dos grandes centros urbanos, que se não fosse o esforço (ou extorsão…) de alguns, seriam pessoas largadas à própria sorte. Aqui encontramos a diferença social vigentes até os dias de hoje, o que no caso de nossos personagens, causam reações adversas de felicidade e conformismo.

Um dos pontos que achei interessantes em Capitão, suficientes para indicá-lo para novos leitores independente do tipo de literatura que procuram, é a narrativa fluída e direta, que embora se perca em detalhes irrisórios em alguns pontos, caracteriza-se pelo vocabulário simples, porém suficiente para um bom entendimento.

Capitão conta a história de Renato, que era conhecido e temido pela alcunha que dá título ao livro. Após acordar sem memórias de sua vida anterior, vítima de uma pancada forte na cabeça durante uma das costumeiras brigas de bar, Renato literalmente renasce, descobrindo, junto com o leitor, tudo o que fizera a vida inteira, nos entregando uma narrativa trágica, e com um desenvolvimento profundo do protagonista, oscilando entre os pecados do capitão e as atitudes que deve fazer quanto a nova face que assumira, o que não será nada fácil, já que não houve uma pessoa na comunidade ribeirinha que não teve sua vida prejudicada pela persona malévola do Capitão.

Lembram-se da Jornada do Herói que comentei no início desta resenha? Em capitão temos uma exemplificação simples da mesma, com o desenvolvimento do protagonista pautado em um chamado não somente à aventura, mas à redenção. Temos um exemplo interessante de como redimir os pecados, que mesmo sem memórias de que os tenha feito, podem ser sentidos ao longo da história. A sombra do Capitão, sempre bruta e cruel, está presente em toda a narrativa, nas respostas frias dos demais personagens com relação à Renato. Senti que a história poderia ser ainda mais aprofundada, tornando o Capitão um verdadeiro vilão invisível, e não “apenas” uma sombra na qual o protagonista deve superar. O mesmo também serviria aos demais antagonistas, que poderiam ser melhor desenvolvidos, servindo de mais conflitos para Renato. Os demais personagens, embora não tenham o mesmo tratamento do protagonista, são essenciais em sua jornada.

Após terminar a leitura de Capitão, percebi algo importante nas narrativas, essencial para qualquer autor: não é necessário ter a técnica digna de shakesphere (ou qualquer autor que lhe agrade) ou apresentar tramas intricadas como meio de trazer algo profundo. Como é ensinado em diversos posts da Quadrinize, os personagens devem ser, acima de tudo, o centro das atenções do autor, pois sem eles, encontraremos apenas mais do mesmo. Capitão é uma boa pedida para novos leitores, que podem refletir acerca de uma questão pertinente em todas as nossas vidas: você é capaz de mudar toda a sua vida, ao ver os erros que cometeu? Um abraço para todos.

Nome Completo: Capitão

Autor: Sérgio Prado

Editora: Giz Editorial

Ano: 2011

Páginas: 112 páginas

ISBN:85-785-5154-4

Onde Comprar:http://www.gizeditorial.com.br/

Parceria:

cirilo blog anime Quarta Literária   Resenha de Capitão (Sérgio Prado)

Posts Relacionados:

Comentários (2)

Oi Willian!

Li sua resenha e gostei, mesmo discordando em um ponto: o livro não é indicado somente para leitores iniciantes, ele é bom até mesmo para leitores mais lidos. Estudo literatura e no final do ano passado o professor recomendou este livro, eu e os alunos que o leram, fomos unânimes na qualidade da trama. Este ano eu penso em desenvolver um trabalho sobre o livro e já estou fazendo contato com o autor.
Concluindo, é livro forte, bem escrito, coeso e tem o que falta muito à maioria dos romances lançados hoje em dia, que é uma trama sem arestas, sem falhas, em minha opinião irretocável.

Concordo plenamente Fabiana. Ele é indicado para todos os leitores, destaquei os iniciantes pela estrutura narrativa, que não abusa de rodeios e vocabulários rocambolescos que às vezes afastam um leitor em potencial. Boa sorte com seu trabalho, se precisar de apoio é só falar ^^.

Postar um comentário

Stop SOPA