Durante uma saga, dificilmente todos os heróis que começaram chegarão ao fim. A morte está espreitando a cada esquina, e sempre será algo a temer. Ou não. Atualmente há uma banalização da morte em comics e mangás, o que torna a morte de um personagem pouco assustadora. Sempre pensamos que ele voltará depois, seja atravessando o caminho da serpente ou apenas por um “erro” na continuidade do tempo/espaço.
É verdade que qualquer coisa pode se tornar uma desculpa para reviver alguém. Até onde esse recurso pode ser usado para atrair o público, utilizando o amor por um personagem como isca?
Chamando atenção do público
Anunciar que um herói vai morrer sempre faz com que o público queira saber como. E matar alguém em uma saga faz com que ela se torne uma das mais importantes, ela fica marcada por aquilo. Vários roteiristas sabem disso e usam isso ao seu bel prazer. Mas o próximo roteirista ou mesmo o público podem não gostar e trazem de volta o personagem.
No mundo dos comics, poucos são os heróis (e vilões) que não possuem uma ressureição no histórico. Quem leu “A Noite Mais Densa” da DC Comics sabe do que estou falando. Nela, vários heróis que já morreram voltam a ser mortos por culpa do poder dos Lanternas Negros. Lá podemos ver a extensão do problema. Metade dos heróis vivos passam para o outro lado.
Outra forma de perceber como essa banalização está nos anos: a Jean Grey (que é a Fênix, isso é, tem um certo motivo para reviver) está morta desde 2004, e isso é considerado muito tempo. O Flash Barry Allen morreu em 1985 e voltou esses tempos, praticamente um recorde para um herói tão famoso. Por outro lado, Batman (Bruce Wayne) morreu, e logo depois já estavam anunciando que ele iria reviver. E mesmo personagens menores não escapam, pois Nuclear (Ronnie Raymond) morreu em 2004 e voltou ano passado.
Magia, tempo, profecias: motivos para a ressureição
E claro, sempre tem a forma como eles reviveram. É aqui que mora o perigo. A maioria delas são ridículas, pouco explicativas e gritam “queremos dinheiro”. Pois claro, anunciar a morte do Capitão América dá dinheiro e trazer ele de volta também.
Muitos heróis não morreram de verdade. Reed Richards (Senhor Fantástico) também teve problemas com o espaço/tempo e foi dado como morto, e professor Xavier fingiu a própria morte. Mas essa saída não pode ser usada sempre. As vezes a morte aconteceu mesmo.
Daí eles podem usar diversos motivos para a ressureição ou mesmo motivo nenhum. Goku tinha suas esferas do dragão, Arqueiro Verde (Oliver Queen) voltou com a ajuda Hal Jordan (por causa dos poderes de Parallax). Chegamos a um extremo onde Kyle Rayner, um dos Lanternas Verdes, morreu e voltou no mesmo quadrinho, pelo poder do amor.
E como lidar?
Morrer é algo natural, todos passarão por isso um dia. E essa é a maior lição: trazer de volta a vida não o é, então não podemos tornar isso algo corriqueiro. Por mais amado que um personagem seja, pense sempre se vai valer a pena.
A saida mais normal seria a de só matar quando necessário e bem aplicado na história, e fazer como na vida real e não trazer de volta. A vida real é assim, qual a razão de sermos diferentes?
Mas se a magia, ou mesmo o ambiente permitem uma ressureição aqui e ali, ou até mesmo se a sua história pede isso, faça algo profundo. Pode ser sacrifício de um pelo outro, pode ser uma saga com uma busca heróica para achar algo que ressucite, o herói pode até mesmo não estar de fato morto. Mas não faça isso fácil, ou parecerá que a morte não é algo para se temer.
Claro que há sagas que ficaram ótimas e eu com certeza já comemorei a volta de um personagem (ou fiquei esperando que isso viesse a acontecer), mas não podemos deixar que isso afete a credibilidade da história. Se seus heróis não tem medo da morte, eles tem medo do que? Nada pararia alguém se nem a morte é párea para ele. Todos seriam o Wolverine.













